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Cinema brasiliense
Brasília tem
apenas quarenta e três anos de existência e já possui um papel importante na
história do cinema brasileiro. Pensando na relevância dessa produção, a jornalista
Raquel Maranhão de Sá mergulhou em uma pesquisa que durou dois anos e que
acabou se transformando no livro Cineastas de Brasília .
"A obra traça um painel da produção brasiliense dos primeiros anos até
os dias atuais. São 50 entrevistas com 51 cineastas de Brasília", diz
Raquel.
Entre os
entrevistados, nomes conceituados do cinema nacional como, Nelson Pereira dos
Santos, Maurice Capovilla, Vladimir Carvalho, além
de mitos locais como o “cineasta bombeiro” Afonso Brazza,
falecido no início deste ano. "Achei excelente a iniciativa da Raquel em
mapear o cinema de Brasília. Aqui já existe uma quantidade de filmes e
cineastas que justificam a realização de um livro”, comemora a cineasta Tisuka Yamasaki, uma das
primeiras alunas do curso de cinema da Universidade de Brasília. “Fiquei
feliz em ser considerada e lembrada como uma cineasta brasiliense”.
Para Raquel,
o aumento da produção local nos últimos anos foi um dos principais fatores
para a realização do livro. "O formato de um livro de entrevistas permite
que os próprios profissionais expliquem como fazem seus filmes e pensam a
respeito de suas realizações cinematográficas".
Candango: Como surgiu a idéia
de escrever um livro sobre cineastas brasilienses?
Raquel: Surgiu por
acaso, de uma conversa com um amigo. Na época estava pensando em fazer
mestrado em Comunicação na UnB, onde desenvolveria
um tema relacionado ao Terceiro Setor. Não estava muito satisfeita com a
escolha, e esse me deu força para ir atrás de algo que gostasse mais. Decidi
fazer alguma coisa relacionada com cinema, minha paixão desde a adolescência.
Optei por escrever um livro sobre o cinema local porque descobri que não
havia muitos trabalhos a respeito do assunto e que o cinema daqui era
importante dentro da cinematografia nacional.
Candango:
O
livro é a sua estréia como escritora. Como foi a experiência?
Raquel: Muito boa,
apesar de bem desgastante. Gravei as cinqüenta entrevistas em fitas cassetes,
quase não anotei nada. Tive um trabalhão para transcrevê-las, ir atrás de
fotos e fichas técnicas de filmes – nem todos os cineastas lembravam de cor
de seus trabalhos mais antigos. Mas valeu a pena. Aprendi muito com eles, com
a experiência de vida de cada um, e fiz novas amizades. Passei a admirar mais
o cinema local ao saber das dificuldades que enfrentam para realizar filmes
fora do eixo Rio-São Paulo.
Candango:
O
cinema brasiliense tem identidade?
Raquel: Acho que o
cinema local está em fase de desenvolvimento, em estado de constante mutação.
Sua identidade ainda está sendo construída aos poucos. No início eram realizados mais documentários, o que predominou até o
final dos anos 80. Provavelmente dois fatores contribuíram bastante para
isso: a mudança do documentarista Vladimir Carvalho para Brasília em 1970,
que deu aulas de Cinema na UnB e exerceu grande
influência na produção de seus alunos. Outro fator foram as
características da própria cidade, o belo desenho arquitetônico, a população
formada por pessoas de vários cantos do mundo e os conflitos sociais
decorrentes da migração em massa nas últimas décadas. Nos anos 90 surgiu uma
geração que prefere o formato ficção para contar suas histórias (José Eduardo
Belmonte, Mauro Giuntini, André Luís da Cunha, René
Sampaio, Dirceu Lustosa, entre outros), mas também realiza documentários.
Desde então não há mais diferenças entre documentaristas e
ficcionistas.
Candango:
Qual
é a nova safra de cineastas?
Raquel: São garotos e
garotas na casa dos 20 anos interessados em dividir suas “angústias pessoais”
com a platéia. Não conheço todos, mas os representantes da geração 2000 que
entrevistei me pareceram bem maduros, com um bom conhecimento cinematográfico
e sem preocupações de preferências de gênero ou formatos. Eles misturam
ficção com documentário sem problemas e filmam em digital para depois fazer o
transfer para película.
Candango:
Como
você viabilizou o projeto?
Raquel: Consegui uma
pequena verba do Fundo da Arte e da Cultura (FAC) da Secretaria de Cultura do
DF no ano passado. Deu para fazer a “boneca” do livro, mas eu banquei os custos
com a gráfica, as viagens para fazer entrevistas em São Paulo e no Rio, a
gasolina, os telefonemas, os interurbanos, algumas fotografias, os milhares
de cartuchos da impressora, os meus assistentes que fizeram o glossário, ou
seja, todo o resto.
Candango:
"Cineastas
de Brasília" é um livro para quem?
Raquel: Para qualquer
pessoa interessada em cultura brasileira e que deseje saber mais sobre a arte
produzida em Brasília. Optei por fazer um livro de entrevistas, com destaques
no texto, lembrando o formato de revista, justamente para que a leitura seja
agradável para todos, não só para os cineastas.
Serviço:
Cineastas de Brasília – 328 páginas
Data de Lançamento: 23/11
Horário: 17.00
Local : Cine Brasília
Preço : 30 reais
Texto: Anna Karina
de Carvalho
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